Não há festa em Espanha que não se renda a elas. A sua estrutura de quatro coplas é o íman definitivo de qualquer celebração, mas por trás dos folhos e do compasso de 3/4 esconde-se uma história de séculos.
Entender a origem das sevillanas é descobrir como uma dança que nasceu longe de Sevilha acabou por se converter no hino visual de toda a Andaluzia.
O que são as sevillanas
Ao contrário de outros palos mais herméticos, as sevillanas são a dança regional mais popular do mundo. Trata-se de uma composição musical e coreográfica dividida em quatro partes fixas, onde a coordenação, o frente-a-frente e o remate final criam uma narrativa de cortejo única.
Embora muita gente se pergunte o que são as sevillanas dentro da árvore do flamenco, tecnicamente nasceram como um folclore dançável que, com o tempo, se foi “aflamencando” até ganhar o seu lugar nos palcos profissionais e tablaos de todo o mundo.
A origem das sevillanas: das seguidillas castelhanas à Andaluzia
A resposta a de onde vêm as sevillanas costuma surpreender: a sua raiz não é puramente andaluza. O ancestral direto são as seguidillas castelhanas, uma dança popular que chegou a Sevilha na época dos Reis Católicos.
Uma vez que essas seguidillas tocaram solo andaluz, o caráter do sul fez o resto. Tornaram-se mais lentas, mais elegantes e encheram-se dessa graça sevilhana que as transformou por completo. Foi em 1847, com a primeira Feira de Abril, que foram batizadas oficialmente com o nome que hoje todos conhecemos.
As sevillanas e a sua relação com o flamenco
Apesar de nascerem do folclore, a origem das sevillanas está profundamente ligada ao universo jondo. Durante o século XIX, os artistas flamencos começaram a introduzir giros, guitarras e uma forma de cantar muito mais profunda, dotando-as de uma complexidade técnica que antes não tinham.
Hoje, um bailaor profissional pode elevar uma sevillana à categoria de obra de arte, demonstrando que a elegância do movimento de braços e a força do sapateado não têm nada a invejar a uma soleá ou a uma alegría.
Evolução das sevillanas ao longo da história
As sevillanas não são um bloco monolítico; souberam adaptar-se a cada canto e momento da história através dos seus diferentes estilos:
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Sevillanas tradicionais: As de toda a vida, centradas na temática do amor, do campo e da própria cidade de Sevilha. São as que mantêm a estrutura mais pura.
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Sevillanas rocieras: Nascidas do fervor da Romaria do Rocío. Costumam fazer-se acompanhar de flauta e tamboril, com letras carregadas de devoção e caminho.
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Sevillanas corraleras: Nasceram nos antigos pátios de vizinhos. São vibrantes, rápidas e cheias de malícia, representando a alegria da convivência.
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Sevillanas boleras: A versão mais académica e técnica. Aqui é onde se nota a influência da dança clássica e o uso magistral das castanholas.
Por que as sevillanas continuam a ser um símbolo cultural da Andaluzia
Apesar da passagem dos séculos, esta dança continua mais viva do que nunca. Não ficaram presas num museu; evoluíram com a moda, a música e as novas gerações. São um símbolo de identidade que une famílias inteiras e que permite que qualquer pessoa possa participar da cultura andaluza.
Ver umas sevillanas dançadas com alma é a porta de entrada perfeita para o mundo do flamenco. No nosso palco, celebramos esta evolução todas as noites, elevando o popular ao extraordinário.
No nosso tablao, onde todas as noites se pode desfrutar de um jantar com espetáculo de flamenco, celebramos esta evolução elevando o popular ao extraordinário.